Lago Atitlan, Guatemala
2008
"Esfrega, esfrega... saias molhadas, submersas na água do lago até pouco abaixo da cintura.
As tranças balançam ao ritmo da esfrega. Acima, abaixo, esfrega. Um pouco mais de sabão. Esfrega, acima, abaixo, torce.
Lavadeiras do lago Atitlan, cores que saltam da água e reflectem no mais antigo de todos os espelhos os hábitos de um povo, a rotina matinal que me enche os olhos quando já mais não posso dormir.
Que vontade de lavar a minha roupa suja, de me molhar até cima dos joelhos, de esfregar e ficar com as mãos vermelhas e quentes...de sentir o sangue circular, de sorrir com elas, de questionar, de desobrir o que o homem da canoa atira para o rio, uma espécie de marcação dos pontos fulcrais para uma tarefa mais tardia.
Se estivesse ali com elas, as minhas mãos não congelariam à temperatura de 20˚c e sentir-me-ia mais viva! Mas não o faço... Limito-me a observar por puro egoísmo."
